segunda-feira, abril 27, 2015

SONHE!!!

"Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância
das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante
baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que
podemos deixar duram uma eternidade. "

Clarice Lispector

quinta-feira, abril 23, 2015

Mujica: a entrevista

Mujica: quem gosta de dinheiro tem que sair da política

Em entrevista à BBC, ex-presidente uruguaio fala sobre possível retorno ao cargo e diz que tráfico de influência é 'doença' no Brasil

Prestes a completar 80 anos, o ex-presidente uruguaio José Mujica diz que a corrupção afeta "a todos" na América Latina, mas que "quem gosta muito de dinheiro deveria ser afastado da política". Em entrevista exclusiva à BBC Mundo, Mujica comentou a corrupção em países como México e Brasil, e afirmou que a "vontade de ter bens materiais" não se relaciona bem com o serviço público.

 Foto: BBCBrasil.com
'Quem gosta muito de dinheiro tem que estar na indústria, no comércio. Não na política', defende Mujica
Foto: BBCBrasil.com
"Sempre disse aos empresários: se eu souber que pediram alguma propina a vocês e vocês não me avisaram, teremos uma relação péssima. Com essa declaração, não havia abertura para que me oferecessem nada."
 
"Se misturamos a vontade de ter dinheiro com a política estamos fritos. Quem gosta muito de dinheiro tem que ser tirado da política. É preciso castigar essa pessoa porque ela gosta de dinheiro? Não. Ela tem que ir para o comércio, para a indústria, para onde se multiplica a riqueza", declarou. 

Agora senador, Mujica diz que não descartaria voltar à Presidência, caso sua saúde permitisse. Dá a impressão, no entanto, de que não acredita na possibilidade. "Se eu tivesse o grau de saúde que tenho hoje, não teria nenhum problema. Mas estou quase com 80 anos, não acho que tenho idade adequada de resistir ao vaivém de uma Presidência." 

O ex-presidente falou à BBC sentado sob uma árvore diante de sua casa nos arredores de Montevidéu. O ambiente tranquilo e silencioso, que sempre disse valorizar, agora é interrompido ocasionalmente pela chegada de crianças e adolescentes à escola rural que ele inaugurou recentemente do outro lado da rua. 

Ele falou sobre narcotráfico e opinou sobre governos de outros países latino-americanos. Entre elogios a sua cadela Manuela ("o integrante mais fiel do meu governo") e comparações entre o mate argentino e o uruguaio, Mujica disse ainda que não considera ocupar um cargo internacional. 

"Acredite, para mim seria uma tortura. Não sou afeito ao protocolo, não sou a pessoa mais indicada. Acho que as causas políticas têm muito fôlego e que é preciso incorporar gente mais jovem que nós, que nos supere."

 Foto: BBCBrasil.com
Mujica diz que sua cadela de estimação, Manuela, foi "integrante mais fiel" do governo
Foto: BBCBrasil.com
 

'Doença' brasileira 
 
"Algo doentio acontece na política brasileira", disse o ex-líder uruguaio sobre a cisão entre o governo de Dilma Rousseff, em seu segundo mandato, e o Congresso eleito em 2014. "O Brasil é um país gigantesco e cada Estado tem sua realidade, com partidos locais fortes. Conseguir a maioria parlamentar no Brasil é um macramé (técnica de tecelagem manual) onde pedem uma coisa aqui, outra ali." 

Para Mujica, o tráfico de influência é "uma tradição" no país, já que os governos "têm que fazer o impossível para conseguir a maioria parlamentar de alguma maneira". 

"Não digo que os fins justificam os meios, quem diz é Maquiavel. O que digo é que isso é uma doença que existe há muito tempo na política brasileira." 

Ao mesmo tempo, ele afirma que o poder dos presidentes na democracia representativa é relativo e, por isso, demora para que uma vontade do poder Executivo torne-se realidade. "Não se deve confundir governar com mandar. Existe o papel da persuasão e do convencimento. Um presidente deve se cercar de gente útil e de gente boa." 

Mujica diz ainda que é preciso considerar o papel dos agentes externos ao governo na corrupção. "Para que haja corruptos, também deve haver um agente corruptor. Não nos esqueçamos disso." 

Vizinhos 
 
Durante a entrevista, Mujica evitou fazer críticas frontais aos governos latino-americanos. Questionado sobre seu apoio à administração de Nicolás Maduro, na Venezuela, ele afirmou que "não gosta da existência de presos políticos" no país, mas se posicionou contra possíveis intervenções em meio à crise. 

"A Venezuela tem problemas, sim. Mas não vai sair deles a pauladas. Não é apoio, são as evidências. Porque não se ganham 14 eleições sucessivas só usando a força." 

Mujica chegou a chamar a presidente argentina Cristina Kirchner de "velha", mas, desta vez, também lhe dedicou palavras mais suaves. "Não acho que seja uma presidenta maravilhosa, nem acho que seja uma bruxa. É uma mulher que teve de enfrentar todo o machismo arraigado em uma sociedade. Como muitos quiseram passar por cima dela, ela às vezes passa dos limites do outro lado." 

Sobre o México, o ex-presidente voltou a afirmar que o tráfico de drogas é um problema maior no país por causa de sua proximidade com os Estados Unidos. 

"Os Estados Unidos são o grande mercado consumidor das drogas e os que têm infinito poder aquisitivo e o México é o lugar de trânsito. Isso vem condicionando a vida deles e o México não teve a capacidade de resolver o problema da influência crescente do narcotráfico, não foi só esse governo." 

"A combinação da ameaça e do dinheiro destroçou os poderes públicos, que não conseguiram enfrentar isso. Mas eu não estou criticando o México, acho que todos estamos expostos a isso hoje", afirmou, defendendo novamente a lei aprovada em seu governo, que tornou o Uruguai o primeiro país do mundo a regularizar a produção, a venda e o consumo de maconha. 

"Curiosamente, eu que não sou neoliberal acho que a melhor fundamentação (para a lei) que encontrei é a de (Milton) Friedman (economista americano). Digo isso raramente, mas não tenho preconceito. Acho que é preciso roubar o mercado deles (dos narcotraficantes)." 

Rolling Stones e baseado 
 
Centenas de perguntas foram enviadas para a entrevista com José Mujica, que foi transmitida ao vivo pela internet e acompanhada em seis idiomas pela BBC nas redes sociais. O ex-presidente teve que responder, por exemplo, sobre se já o convidaram a fumar maconha desde a descriminalização do consumo. 

"Apareceu aqui um rapaz, não sei de que país, com um baseado, e me convidou para fumar. Eu não quis, mas eu também tenho meus vícios. De vez em quando fumo um cigarro comum. E quem vai dizer que o tabaco é saudável? O único vício bom é o amor, o resto são pragas. O problema está em quanto se consome e isso é um problema mental." 

Algumas das perguntas mais frequentes eram sobre seu estilo de vida, ao que respondeu que "a humildade é uma filosofia que não pretende impor a ninguém". 

"Não posso mudar a cultura do mundo em que vivemos, mas posso viver minha vida e dar minha opinião." 

O ex-presidente também não se esquivou de questões mais difíceis – mesmo que fora do âmbito político – como a enviada por um participante argentino: Beatles, Pink Floyd ou Rolling Stones? 

"Diga a ele que sou um analfabeto no tema, porque sou 'tangueiro' de alma. Mas feita essa ressalva, prefiro os Rolling Stones." 

FONTE: http://noticias.terra.com.br/mundo/america-latina/algo-doentio-acontece-na-politica-brasileira-diz-mujica,ff11eaf925901bfdd5e8fd4f96f02a92eau1RCRD.html

quinta-feira, abril 16, 2015

Caindo...

As vezes me parece um sonho distante, quase uma alucinação. Foi como tocar o fim do arco-íris. Aquela promessa de um pote de ouro. Eu senti que estava chegando lá, eu podia ver o brilho. A excitação se espalhava pelo meu corpo. A energia irradiava a cada passo. Meus olhos não refletiam a luz, eles tinham sua fonte própria. Eu estava verdadeiramente feliz, eu acreditei que conseguiria.

Cheguei perto, cada vez mais. Vi seu imenso esplendor, ele me tomou por completo, como um cobertor em uma insuportável e solitária noite de inverno, e me aqueceu. A luz e a esperança me completavam, senti-me plena. Estiquei o braço e a ponta dos dedos pareciam sentir sua presença. A incomparável compreensão da amplitude dos sentidos. Estava a poucos passos e me sentia flutuar de alegria.

Então o mundo abriu abaixo de meus pés. Fui sugada. Levada para as trevas. Via tudo se perder a minha volta. Toda a luz era sugada pela insuportável queda sem fim. Tentei, inutilmente, lutar. Tentei me agarrar, mas as paredes eram gélidas, lisas e sem vida. Olhei desesperadamente para cima, mas as trevas me imundaram e a visão daquela pequena e distante luz me cegou e machucou. Agarrei-me com força, pois tinha absoluta certeza de que, a qualquer momento, meu corpo se desintegraria.

A radiante luminescência passou a me assombrar. Sua presença, mesmo que distante, fez meus olhos marejarem. Estava envolta na escuridão e nada poderia me tirar de lá. Minha pele se arrepiou com o medo. O frio dominava meu coração e consumia minha alma. A escuridão aumentava a medida que afundava. Não havia mais fim. Não mais importava lutar, nada mudaria.

Em um último, e quase trôpego esforço, tentei lembrar daquele brilho, da junção de todas as cores, daquela sensação. Então percebi que ela se fora. Se dissipara enquanto eu era absolta no lúgubre buraco em que me encontrava. Tentei gritar, mas minha voz foi engolida. Ela se perdeu em minha garganta e percebi que estava a me afogar. A água tinha um leve gosto salobro que se misturava a um sutil acre. Afogava-me em lágrimas.

Aquele sonho, só então havia percebido que o queria e porque o queria, estava perdido. Ele morreu. Levou consigo parte de minha alma e de minha crença. Cravei em minha pele um aviso. Não devo mais esquecer. Nunca mais deixarei de acreditar que antes de um futuro, há um passado que poderá, a qualquer tempo, voltar para assombrar. Acreditar que para equilibrar minha alma há anjos e demônios.