sábado, abril 13, 2013

Voar



Tem dias em que vou até a sacada e fico olhando o horizonte. Tão vasto. Tão belo. Olho para baixo e vejo o chão. Tão longe. Tão profundo. Olho para o céu. Tão perto. Tão possível. E me pergunto: posso voar?

Ah, sinto o ar. A brisa toca em minha face e levanta levemente meu cabelo. Sinto uma paz profunda e reconfortante. Subitamente sou tomada por uma vontade de tocar as nuvens. Estendo a mão e o sol transpassa entre meus dedos. Não. Não é possível chegar aos céus. Meus dedos materializam a cela em que vivo. Vivemos.

Sinto-me livre. Sou presa. Acorrentada pela realidade. Aprisionada pela sociedade. Regras, condutas, status e etiquetas que impedem de agir. Liberdade para andar como rebanho. 

Alto suficiente para ver, baixo demais para acreditar. Vejo ao longe asas. Pássaros abaixo de mim: estou voando?


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