segunda-feira, agosto 01, 2011

Moda

Há não muito tempo, eu li o Trabalho de Conclusão de Curso de uma amiga, Ozélia. Ela se formou em Moda. Confesso que li com atenção por ela, pois não é algo que realmente me fascine, pois não me atenho à idéia de moda. Apesar de gostar de alguns estilos específicos, de épocas específicas. Foi então que eu comecei a pesar algumas coisas.

Ela comentou e me explicou, enquanto eu lia, que moda não é apenas desenhar e criar, é pesquisar, procurar, entender. São coisas que faço no dia-a-dia, mas de outra forma e com outro foco. Não me atento muito para o que visto, mas isso não quer dizer que vou sair com qualquer coisa na rua. Vou me atentar ao meu jeito de ser. Vislumbrei assim a ideia de moda implicada em minha vida.

Aí que está a peculiaridade do negócio. Nós nos vestimos de uma forma a ser agradável para os outros na maior parte do tempo, e acredito ser esse o problema, deveríamos tentar agradar nossos olhos, nosso espírito e não parecer o que não somos diante dos outros. E com isso surge um problema, temos que tomar uma simples escolha:

A) Vestir-se do jeito que agrada os outros e/ou estar na moda.
B) Vestir-se como se sente bem, e como reflete seu jeito, estando ou não na moda.

Conseqüências:

A) Você será considerada uma pessoa normal. Será mais facilmente aceita. Haverá uma chance maior de você não sofrer um pré-julgamento. Será como a maioria das pessoas, mais uma no meio da multidão. Feliz e conformada por ser aceita até que a moda mude e você tenha que trocar todo o seu guarda-roupa.
B) Você poderá ser considerada louca ou excêntrica e provavelmente as pessoas achem que sabe quem você é sem nem trocar um "oi" com você. Isso porque muitas vezes a imagem que queremos passar vem vinculada a uma leitura relativa, pois é influenciada pelo contexto em que se vive ou que se conhece.

Ou seja, você pode ter interpretado que aquela roupa que está vestindo te relembra dos anos 70, do rock, da liberdade de expressão. As pessoas vão achar você fora do contexto, que você é "brega¹", é diferente, estranha, no pior significado da palavra, e assim você será excluída. Pois é isso que acontece com as pessoas bizarras.

Assim você cria mais algumas alternativas para a sua vida:

A) Se enquadrar nos parâmetros da sociedade moderna;
B) Continua com suas opções de vestuário;

Consequências:

A) Você poderá encontrar amigos, as pessoas poderão esquecer que você era uma excêntrica e passaram a te ignorar ao invés de falar mal de você e um dia poderá alcançar o status de amiga de uma dessas pessoas;
B) Poucas pessoas conversaram contigo, provavelmente aquelas que não se importam com o que você está vestindo, ou que também são excluídas, ou acham massa o jeito maluco como você se veste ou lhe aceitam pelo que você é. E assim você passa a ter amigos que não lhe julgam pela capa.

Isso é o que acontece na maioria das vezes, não quer dizer que acontecerá em todas às vezes. Quando eu uso o termo "maioria" quero dizer que no complexo mundo em que vivo é assim que acontece, mas não excluo as exceções.

Bem, são escolhas que te influenciarão o resto da vida, são escolhas que você fará cotidianamente, até muitas vezes de maneira inconsciente afim de ser aceita (o).
A questão que eu deixo é: Porque julgamos tanto as pessoas pelo que elas parecem ser, e não pelo que elas são realmente?

Quero deixar claro que não sou contra a moda, sou contra o consumismo, contra esse pré conceito que se cria sobre as pessoas. Não seria bom se cada um pudesse criar a sua moda?


¹ Que se considera ser de mau gosto ou não ter refinamento. De qualidade inferior.

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