quinta-feira, março 10, 2011

Eros e Psyche


Havia um casal de rei e rainha que tinham três filhas, sendo que a mais jovem era a mais bela das mortais e estava sendo adorada no lugar de Afrodite, como deusa do amor e da beleza. Afrodite com ciúmes ordenou a seu filho Eros que fizesse Psiqué se apaixonar pelo homem mais monstruoso. O pai de Psiqué consultou o oráculo de Apolo sobre o destino de sua filha, e a resposta foi que ela deveria ser levada ao alto de um rochedo onde se uniria a um monstro horrível.

Eros, no entanto, ao tentar atingir Psiqué com uma de suas flechas, acabou se ferindo e se apaixonando por ela. Pediu então ao vento Zéfiro que a transportasse para o seu palácio. No palácio de Eros, Psiqué foi servida, nos seus desejos, por vozes. Eros vinha à noite, se unia a Psiqué, sem se deixar ver, e desaparecia antes do amanhecer.

As duas irmãs de Psiqué foram à montanha chorar a ausência desta, que, entristecida, pediu a Eros que as trouxesse ao palácio. As irmãs foram trazidas ao palácio, mas ao verem-na tão rica e feliz sentiram muita inveja e quiseram conhecer o marido de Psiqué. Esta, prevenida por Eros, não respondeu às perguntas e mandou-as de volta.

As duas irmãs eram infelizes com os maridos – um deles era feio e avarento, e o outro era velho e doente. Psiqué, pouco tempo depois, já estava chorando novamente de saudades das irmãs e pedindo a Eros que as deixasse visitá-la de novo. Novamente as irmãs foram levadas pelo vento Zéfiro ao palácio, e desta vez foram mais convincentes e conseguiram fazer Psiqué acreditar que seu marido seria uma serpente gigantesca e monstruosa. Psiqué estava grávida, mas segundo suas irmãs, o marido monstruoso não tardaria a devorá-la.

Psiqué, então, confusa com a conversa das irmãs, acabou lhes confessando não saber quem era seu marido. As irmãs então a fizeram preparar uma lamparina e um punhal. Com a lamparina ela deveria iluminar o rosto de seu esposo e com o punhal cortar-lhe fora a cabeça. À noite, quando Eros já dormia, Psiqué acendeu a lamparina e viu o rosto do marido – um homem belíssimo. Não conseguindo mais pensar em matá-lo, deixou cair o punhal. Ao ver sua aljava, foi tocá-la e se feriu numa das flechas, desta maneira, ficando perdida e eternamente apaixonada por ele. Sem se dar conta, deixou pingar uma gota de óleo quente da lamparina no ombro de Eros, acordando-o e fazendo-o fugir do palácio.

Psiqué, desesperada com a ausência do marido, tenta se matar, jogando-se num rio, mas as águas a devolvem a terra. Pan, que estava por perto, aconselha-a que chame e procure pelo esposo. Enquanto isso, Afrodite fica sabendo que Eros está ferido, e pior ainda, apaixonado por sua rival Psiqué. Curiosa, vai ao encontro do filho. Psiqué, depois de pedir em vão ajuda às deusas Hera e Deméter, e cansada de procurar por Eros, resolve ir ao encontro de Afrodite, para lhe pedir perdão.

Afrodite, no entanto, a recebe muito mal, humilha-a, espanca-a e ainda lhe impõe quatro tarefas: A primeira tarefa seria separar uma montanha de sementes por espécie, durante o período de uma noite. Psiqué sabia ser uma tarefa impossível para ela, mas vê aparecerem várias formigas que a ajudam e as sementes são rapidamente separadas.
Afrodite, furiosa, lhe passa a segunda tarefa: exige que Psiqué lhe traga, sem falta, flocos da lã de ouro dos carneiros ferozes que existiam ali perto.

Psiqué pensa mais uma vez em se jogar no rio, mas um caniço da beira do rio lhe sugere uma solução para o problema – ela não deveria se aproximar dos carneiros com o sol a pino porque eles estariam enfurecidos e poderiam matá-la. Ela deveria aguardar o calor diminuir, os carneiros, indo descansar, deixariam flocos de lã presos nas árvores do bosque. Seria então fácil para Psiqué colher a lã de ouro que precisasse. E assim foi feito.

Afrodite agora mais furiosa, achando que Psiqué só conseguira se desincumbir das tarefas por estar sendo ajudada por Eros, ordenou-lhe que cumprisse mais uma: com um vaso de cristal dado por Afrodite, Psiqué deveria apanhar água da fonte dos rios Cocito e Estige (rios infernais – sua nascente era guardada por dois dragões).

Psiqué novamente pensou em desistir de tudo, mas desta vez foi ajudada pela águia de Zeus, isto é, o próprio Zeus metamorfoseado em águia cumpriu a tarefa por ela.
Veio então a quarta tarefa, e a mais difícil de todas: Psiqué deveria buscar no Hades, o reino dos mortos, com Perséfone, sua rainha, uma caixa que continha a "poção da beleza imortal" para ser entregue a Afrodite.

Psiqué, totalmente desesperançada, subiu a uma torre alta para se jogar lá de cima. A torre, no entanto, aconselhou-a a como se desincumbir satisfatoriamente desta empreitada: deveria levar na boca duas moedas para pagar a passagem de ida e volta ao barqueiro Caronte. Em cada mão levaria um bolo de cevada para dar ao cão Cérbero que guardava a entrada e saída do Hades. Ela sofreria quatro tentações ao longo do caminho: primeiro passaria por um homem coxo, puxando um asno também coxo que carregava lenha. Deveria recusar-se a ajudá-los. Depois, já no barco de Caronte, um velho surgiria da água e lhe pediria "carona" no barco. Psiqué não poderia ajudá-lo. A terceira tentação seria quando passasse por tecedeiras que também lhe pediriam ajuda, e mais uma vez deveria se negar em ajudar.

Por fim, a quarta tentação seria quando encontrasse Perséfone, não deveria aceitar o seu convite para jantar, o mais importante de tudo: logo que conseguisse a caixa, teria que retornar rapidamente sem abri-la. Psiqué seguiu as instruções da torre em quase tudo, mas não resistindo à curiosidade sobre a caixa da beleza, acabou por abri-la e caiu num sono mortal.

Eros então, penalizado, vem agora em socorro de sua esposa. Guarda de novo o conteúdo na caixa e desperta Psiqué novamente para a vida. Zeus eleva Psiqué à imortalidade do Olimpo. Do casamento nasce uma menina chamada Volúpia.

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