segunda-feira, novembro 01, 2010

O que há além?

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- E se eu te disser que não há nada depois do horizonte, que não existe esperança, não existe alegria ou tristeza, não existe o perdão, o que você faria minha senhora?
- Porque me perguntas se já tens a sua resposta. Mas, me diga, assim adiantaria eu ser quem sou? Estaria eu crendo em coisas incertas?
- Claro que adiantaria ser quem tu és, mas talvez... pense comigo, se nada existir, não seria muito mais fácil?
- Fácil? A que facilidade citas? - ela tampou momentaneamente sua visão com a mão, como em um ato de desilusão - Acredito que quem nada quer ver és tu.
- Como podes afirmar isso? Não entende? Se não existisse um paraíso ou um inferno para crermos as pessoas dariam mais valor a sua vida aqui na terra, elas realmente viveriam, buscariam uma convivência de paz e harmonia, transformariam seus lares no paraíso!
Ela respirou profundamente enquanto elevava sua visão para o céu, viu as folhas das árvores a qual usufruía da sombra. O sol permeava em meio delas com o seu balanço, e assim ela conseguia se manter tranquila e sua voz calma.
- Você realmente acredita nisso?
- Claro que sim!
Ao ouvir aquela afirmação ser pronunciada tão veemente ela sorrio com ternura e voltou seus olhos para o jovem, como se tentasse incentivar uma criança a aprender um pouco mais sobre o que lhe era ensinado, falou em um tom doce.
- Eu também gostaria de acreditar nisso. Mas as pessoas não estão preparadas para essa verdade.
- Não entendo... - intenrrompeu impacientemente o jovem rapaz.
- Calma, sente ao meu lado e deixe-me explicar-lhe melhor.
- Prefiro permanecer em pé.
- Como desejar, só peço que mantenha a mente aberta para o que vou lhe falar.
Ela olhou para todos os lados, como se buscasse a sua volta as palavras que lhe faltavam. Mas quando seu olhar voltou para ele, voltava a ser sério, então ela se pronunciou de maneira firme e pausada para que cada palavra sua pudesse ser compreendida em sua plenitude.
- Meu filho, gostaria muito que todas as pessoas pensassem como você. Mas hoje, quanto mais pessoas acreditarem que não existe o que se esperar, pior o mundo ficaria, entraríamos em um colapso. Você não lê em seus jornais quantas crueldades são feitas mesmo a maioria crendo na existência do céu e do inferno. Pense meu amado filho. As pessoas não pensariam em transformar a terra no paraíso, elas prefeririam transformar ela no inferno, afinal não há nada que as puna depois de sua morte.
- Mas minha mãe, as pessoas que cometem crime não acreditam no inferno.
- Exatamente aí que eu quero chegar, elas não acreditam que terão realmente uma punição por isso fazem o que fazem.
- Mas... mas com certeza elas não gostariam que fizessemos com elas o que ela fez com os outros.
- Amar o próximo como a ti mesmo.
- A Igreja novamente! - disse com impaciência.
- Não meu pequeno, essa não é apenas uma lei da Igreja, é uma lei do mundo. Não pregue o fim de Deus, não pregue a inexistência de uma esperança. Leve aos outros a verem a beleza dos bons atos. Pois tudo é um reflexo. Se fizer coisas boas, outros o farão e tudo será melhor e as coisas voltarão para você mesmo que não as espere.
- Falaste de uma esperança. Que esperança?
- Para você é uma perturbação pensar que possa haver algo depois de sua morte, para muitos isso é um conforto, uma esperança. Pense, eu sou sua mãe se eu tivesse perdido em um acidente.  Talvez meu maior consolo fosse acreditar que você, sem ter pecados, estaria no céu, e estaria bem. Porque eu só preciso da certeza de que você está bem, aonde quer que esteja e meu coração estará em paz.
- Bem, eu iria para o inferno, tinha robado doces na cozinha aquela manhã.
- Está certo - e rio com ternura.
- Mas ainda acredito ser mais fácil pensar que a pessoa foi e fim, acabou. A vida continua.
- É seria muito mais fácil, mas volto a dizer, a maioria das pessoas não aguentaria essa verdade. Pregue o bem, e tente ensinar as pessoas a fazer o bem. Não queira que elas acreditem na inexistência do céu. Muitos querem a vingança do que é feito contra eles e não o fazem por acreditaram em uma justiça divina. Por acreditarem que Deus se encarregará disso.
- Mas ele nunca se encarrega! Mãe, olhe a crueldade do mundo, veja quantas pessoas sofrem, quantas crianças morrem sem nunca ter feito nada de errado, cado esse Deus que a senhora tanto fala?
- Não sei... Apenas acredito que colhemos o que plantamos, e isso pra mim é Deus. As flores, os perfumes, os carinhos, isso é Deus. Você chama por outros nomes, você o chama de sorte, de conhecidencia, de beleza, eu dou apenas um nome para todos esses atos.
- Ah, como eu queria pensar como a Senhora. A vida seria mais fácil.
- Talvez, apenas, ela não deva ser fácil.

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