sexta-feira, outubro 29, 2010

João sem Braço

Não venha dar uma de...

No princípio do século passado, Portugal vivia um momento de agitação política iniciado em 1906, quando o rei Carlos I e o príncipe herdeiro foram assassinados e Dom Manuel subiu ao trono. Mas isso não acalmou os opositores da realeza, que decidiram iniciar um movimento revolucionário e conseguiram a deposição do novo rei e o início do sistema republicano de governo no país. Porém, todo mundo sabe o que revolução ali queria dizer: uma ação armada que tem como objetivo a substituição violenta dos detentores do poder, geralmente trazendo em sua esteira a morte, a mutilação e a ruína de gente que se envolveu na disputa, às vezes, contra sua própria vontade, ou então porque infelizmente estava no meio do caminho.

No caso de Portugal, as regras determinavam que feridos e aleijados não podiam ser deslocados para o campo de batalha. Assim, como a simulação de que alguém não tinha ou um, ou os dois braços, transformou-se em razão para afastá-lo das obrigações de trabalho, os gozadores da época aproveitaram a farsa em moda e criaram a expressão “dar uma de João sem-braço”, que passou a ser aplicada em todas as situações onde o cidadão apresentava alguma desculpa meio marota para justificar o descumprimento de compromissos, a intenção de não assumir responsabilidades, ou qualquer ação praticada com esperteza mal-intencionada.
Fernando Dannemann

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