quinta-feira, setembro 17, 2009

Devaneio

Quando o sol toca a pele, levemente doce, levemente amarga. Sente que o mundo pode ser algo, além da imaginação. As idéias carnais se tornam simples gota de um orvalho flamejante. O sutil tom da voz se espalha no horizonte restando apenas aspirações da sobriedade que resta. Nada mais importa. O que restava de ruim agora não passa de um grão de areia na praia dos sonhos. Alado voa em silencio, para que o canto melancólico não deixe de sibilar em sua alma. O desejo se expande à medida que se aproxima o calor das chamas que ardem ao longe. Tão longe quanto suas aspirações podem chegar, mas queima tão perto quanto sabe que pode conquistá-las. O limite não existe, apenas sabe que nada sabe, mas consente que tudo pode. Nem sempre de maneira palpável, mas sempre de maneira real. Vê tudo logo em frente, não vê nada em seu caminho.

Sente a intensidade dos sentimentos como se levitassem o mundo. Deseja que nada acabe, é capaz mover montanhas para chegar ao seu destino. Mesmo sem saber qual será o caminho, ou o passo seguinte, segue em frente. Não tem medo, não tem limites. Um sorriso abala o mundo, quebra as trevas, atravessa a imensidão. O paraíso é aqui, está presente. A gula pela alma se divide em vida e morte. Contendo-se em paredes de vidro. A crença por um mundo perfeito nasceu com a estrela que chamejante expande seu sonho leve e louco. O olhar coruscante revela a intenção impecável. Mesmo se tratando de uma utopia, não há quem se atreva a argüir.

Sua sina marcada em seu sangue faz pulsar muito mais do que um coração. Questionam a imortalidade da alma. O que ocasiona o momento presente é o que nos trousse. O passado é um simples ato, é um simples fato. Não está lá, nunca esteve, foi vívido momento torturante. O que veio adiante nos fez mudar. Do que tiramos, ao que passamos, fez o questionar do mundo. Mas fez o ser pensante que vemos diante de nós mesmos. Esparsos tempos de outrora, não mais cá, agora foi-se embora. Nos deixou a pensar, nos deixou a amar algo que não mais teremos. Mas nada consta sobre o amor que ainda veremos. Por mais que tudo esteja a nossa frente, nada vemos.

A última luz se vai. Chega suavemente opaca e clara na escuridão uma esperança cândida. Nada matará um sonho. Nada matará a alma. Pois sempre haverá um sorriso, uma criança. Uma lágrima, uma esperança. Um desejo, uma vingança. Um beijo, uma dança. E tudo que parecia insignificante, hoje tem sentido. O gosto do mel, o cheiro das flores, a brisa, o banho, o toque, o canto dos pássaros. Vivendo eternamente em tudo, não pertencendo a nada.


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