terça-feira, junho 02, 2009

Resumo do Bittar - Platão - Parte 01

Platão foi o discípulo mais notável de Sócrates.
Por meio dos seus diálogos, aborda as questões das premissas socráticas.
Desenvolve com acuidade os mesmos pressupostos elementares do pensamento socrático: o virtude é conhecimento, e o vício existe em função da ignorância.
Em sua exposição do problema ético ressalta-se, sobretudo, o entrelaçamento das preocupações gnoseológicas, pscicológicas, metafísicas e éticas propriamente ditas.
Todo sistema filosófico platônico é decorrente de pressuposto transcendentes.
Platão se distancia da política, pois se decepciona com o governo dos Trinta Tiranos e com o golpe que a cidade desferiu contra filosofia.
Somente as idéias são, para Platão, certas eternas e imutáveis.
Cada parte da alma humana exerce uma função, e estas funções delimitadas, sincronizadas e direcionadas para seus fins são a causa da ordem e da coordenação das atividades humanas. Assim, as diversas faculdades humanas estão dotadas de aptidão para a virtude, uma vez que a virtude é uma excelência, ou seja, um aperfeiçoamento de uma capacidade ou faculdade humana suscetível de ser desenvolvida e aprimorada.
O virtuosismo platônico tem a ver com o domínio das tendências irascíveis e concupiscíveis humanas. Então virtude significa controle, ordem, equilíbrio, proporcionalidade.
A alma racional é soberana e domina as outras.
A harmonia, uma vez dominados os instintos, surge como conseqüência.
A ética de deflui da alma racional é exatamente a de estabelecer o controle e o equilíbrio entre as partes da alma.
O vício está onde reina o caos entre as partes da alma.
Buscar a virtude é afastar-se do que é tipicamente valorizado pelos homens, que é o que mais ainda mantém ligado ao corpo e do mundo terreno.
Se a justiça humana é impune para recriminar condutas, e se a ética humana é inuficiente para controlar os desregramentos, existe a continuidade da vida, para recompensas e punições.
O platonismo prima pelo idealismo.
O núcleo da teoria platônica repousa na noção de idéia, que penetra inclusive o entendimento do que seja o Bem supremo do homem.
A idéia do Bem que está a governar todo o cosmo representa a grande prioridade de idéias concebido por Platão.
As idéias de Ética e virtude ligam-se diretamente a idéia de conhecimento como algo necessário.
A admissão de uma Realidade (divina) para além da realidade (humana), importa, também, a admissão de que existe uma Justiça (divina) para além daquela conhecida e praticada pelos homens.
O que é inteligível, perfeito, absoluto e imutável pode ser contemplado, e é do resultado dessa atividade contemplativa que se devem extrair os princípios idéiais para o governo da politéia (constituição).
A justiça agrada a Deus, e a injustiça o desagrada, mais que isso, a justiça causa o bem para aquele que a pratica, e causa o mal para aquele que a transgride.
A ordem política platônica estrutura-se como uma necessidade para a realização da justiça, um imperativo para o convívio social, onde governados obedecem e governantes ordenam. Devendo haver cooperação entre as partes para que se realize a justiça.
A divisão do trabalho é a regra de justiça no Estado Ideal; três classes dividem-se em três atividades (política; defesa; economia), não podem haver interferência de uma na outra, a interferência representa a injustiça, pois cada classe corresponde a uma parte da alma, e a alma racional, aliada a epitimética, deve governar.
Justiça = Ordem, desordem = injustiça.
Onde cada um cumpre o que lhe é dado fazer, o todo beneficia-se dessa complementaridade.
Para Platão o Estado não deve ser governado por muitos (democracia), uma vez que a multidão não sabe governar, mas por um único (teocracia), o filósofo, o sábio, pois este contemplou a Verdade, e está apto a reazá-la socialmente. Aqui poder e filosofia aliam-se.

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